Futebol é uma coisa muito importante pra deixar na mão de um juiz, foi que disse o Lião recentemente. Quanto mais precisa for a regra, tanto melhor, digo eu. Isso vale pra qualquer esporte, na real, mas no futebol que dá mais problemas, mesmo porque é só pra ele que eu ligo. Dane-se o basket, dane-se o handball, dane-se tudo quanto é esporte olímpico! O futebol não é esporte olímpico.
Daí, do nada, pega e me vem a FIFA, sobretudo depois que foi parar nas mãos dos fucôs do futebol, cagando com tudo. A ordem agora é esse papinho de dar poder pro juiz interpretar os lances, claro que com as orientações da toda-poderosa, e os idiotas da subjetividade aplaudem.
Tipo da coisa desnecessária, besta. Esporte nenhum pode ser assim, ainda mais o futebol. A regra do jogo deve ser clara, simples, precisa, objetiva.
O caso mais sintomático, e que melhor ilustra como essa abertura dada ao juiz pra aplicar a regra só podia dar em merda, é o da mão.
Juro, não agüento mais esses comunistas de arbitragem dizendo que a mão é o único caso de tiro livre direto que se deve marcar tendo em conta apenas a intenção do jogador.
Falo isso porque essas invencionices vêm de 10 anos pra cá. No tempo que fui craque de bola, se viesse o zagueiro tipo aqueles bonéco de posto e se por ventura a bola tocasse na mão, no braço ou o escambáu dele, juiz nenhum tinha peito pra deixar o lance passar: marcava a falta, embora não o punisse com cartão, porque neste caso se tratava de bola na mão. Tanto era assim, que o técnico do meu time cansava de pedir pra bécaiáda: “na área, marcando um cruzamento, sempre com as mãos nas costas, porque senão o cara joga a bola de propósito no teu braço e o juiz vai marcar penalty”. Pra mim ele pedia: “você que tem um passe preciso, se ver um braço dando do sopa na área, joga a bola nele”.
Cartão por mão era só quando o jogador dava um toque descarado na bola, agarrando ou cortando, sei lá: mão na bola, enfim; ou se, mesmo sem intenção, impedisse o gol( aí era vermelho).
Só era permitido o toque com a mão quando ela tava colada no corpo, o que é justo porque é o caso da bola bater lateralmente no braço, proteger a barriga e evidentemente o saco. Além do que aí fica claro que jogador fez de tudo pra não interferir na trajetória da bola, com a única parte do corpo que não conta pro impedimento, aliás.
Curioso e adevogado, fui pesquisar na lei. Na que trata dos tiro livre direto, tá lá:
tocar a bola com as mãos deliberadamente (exceto o goleiro dentro de sua própria área penal)
Pois bem, o futebol é um esporte conservador, sempre foi e vai ser pra sempre porque é conservador e isso não se discute. O conservador nunca muda, ele é conservador.Tanto isso que as únicas reagras que lhe foram introduzidas desde sua invenção pelos índios são a dos cartões, a das substituições e a da plaquinha que o quarto árbitro levanta indicando os acréscimos, outra coisa idiota, diga-se, porque acaba com o suspense que tinha no final.
No caso da mão suponho que a mudança foi apenas interpretativa, mais precisamente o significado de deliberadamente. Eu nem sei o que significa deliberadamente, sei que é um advérbio, mas não admito que o dicionário mude com o tempo. O dicionário é o dicionário sempre. Não é uma coisa dinâmica.
Em todo caso, vá lá, admitamos essa nova orientação da FIFA aos juízes como certa: não seria então o caso de sempre punir o jogador com cartão quando a causa do tiro livre direto for a mão? Conduta antiesportiva, tá na lei: é pro jogador ser punido com cartão. Mão na bola o que é?
O resultado isso tudo é que por causa dessas neo-viadagens( ou viadagens pós-modernas, como queiram), o que se vê por aí é jogadorzinho safado dando uma de joão-sem-braço, como o bonéco do posto.
Pior é cada juiz com seu critério: às vezes é falta, em outras não; às vezes cartão, outras não. Virou tudo uma grande zona, cada juiz apita como quer e como convém, legitimado pra fazer merda: o que importa é que o curíntia continua se arregando e a Portuguesa s e p h o d e n d o.